FELIPPE STEFFENS

FELIPPE

STEFFENS

  • Felippe Steffens

"Nasci em Porto Alegre, em 1987, e atualmente moro em Porto Alegre. Cursei parte da graduação em Artes Visuais na UFRGS. Em 2008 fiz um curso de animação com José Maia, e nunca mais parei. Trabalho com animação desde 2009, com foco em produções infantis e séries animadas. Nesse período passei por alguns estúdios nacionais e internacionais, mas acabei me adaptando melhor à vida de freelancer e retornando a Porto Alegre. Em 2016 co-dirigi meu primeiro curta-metragem, “Lipe, Vovô e o Monstro”, que está no processo de desenvolvimento para se tornar uma série. Atualmente tenho focado mais no meu trabalho autoral. Estou finalizando um novo curta-metragem este ano, “Tom”, e espero poder assisti-lo nas telas dos festivais ano que vem, se aglomerações já forem possíveis."

Qual o contexto em que estás vivendo a pandemia?

Desde março eu estou em isolamento com minha esposa, que estava grávida de 5 meses na época, uma das razões que nos fez levar a quarentena bem a sério. Tínhamos medo de como estaria a situação dos hospitais na época do parto, mas deu tudo certo no final. Agora ainda vivo em isolamento, com minha companheira e nosso filho.

No início deste ano decidi colocar em prática uma vontade que tinha de dividir um espaço de trabalho com um amigo, pois trabalhar isolado em casa não estava sendo muito produtivo. Esse amigo conhecia as meninas do coletivo Vinco, que estavam querendo mudar para uma sala maior. Decidimos então nos juntar a elas e alugar esse novo espaço coletivo. Estava animado com a ideia de ter um lugar de trabalho compartilhado, mas a pandemia aconteceu, e agora todos nós estamos há meses pagando a sala sem poder usá-la.

 

Além disso, o escritório onde eu trabalhava aqui em casa virou um quarto de bebê, então tive que me adaptar um pouco para poder trabalhar, variando entre a mesa da sala, a sacada, etc. Atualmente, estou de licença paternidade que eu mesmo me dei, e minha rotina gira em torno do bebê Vicente. Volto a trabalhar este mês, e ainda não sei bem como as coisas vão se ajeitar.

RETRATOS DA QUARENTENA

A quarentena afetou a sua produção? Como era a sua rotina criativa antes do isolamento e como está agora?

Eu já trabalhava de forma remota, como freelancer, há bastante tempo. Mas sempre saía de casa para encontrar amigos, almoçar, me distrair, o que aliviava bastante a falta de interação durante meus períodos de trabalho.

A pandemia me trouxe uma sensação de suspensão, como se a vida tivesse dado uma pausa e agora eu só tivesse que resistir até tudo passar. Essa sensação tornou o trabalho mais pesado, mais cansativo, e às vezes sem propósito. Meu curta-metragem, que já estava perto de ser finalizado, acabou perdendo a urgência. Festivais foram cancelados ou se tornaram online, o que me fez deixar o curta para o ano que vem, na esperança de que os festivais voltem a ocorrer de forma presencial.

Por outro lado, essa suspensão do tempo me trouxe uma possibilidade de autorreflexão a respeito do meu trabalho autoral. É como se eu pudesse parar pra pensar, avaliar, voltar a estudar. Não gosto de pensar a pandemia como oportunidade para nada, mas se for pensar um lado positivo disso tudo com relação ao meu trabalho seria esse. Tempo para pensar.

TOM

Acredita que a pandemia interferiu no seu trabalho artístico de maneira definitiva ou imagina que com o retorno das atividades a sua produção, também, fará um caminho de volta para um curso habitual (pré-pandêmico)?

Não sei. A verdade é que a vinda de um filho está transformando a minha vida e a forma como eu lido com o trabalho. Mesmo que tudo volte a ser como era de uma forma geral, pra mim tudo está mudando. Quando queria um espaço compartilhado de trabalho, minha situação era outra. Agora não sei mais se é isso que quero, ou mesmo se conseguiria ir trabalhar fora tendo a possibilidade de trabalhar em casa como eu já fazia. Acredito que minha rotina de trabalho não será mais a mesma e que as interações com as pessoas, como família e amigos, ganhem uma nova importância.

Além disso, em relação à minha produção, sinto que já estava em busca de uma identidade no meu trabalho autoral e que a pandemia deixou isso mais em evidência, trazendo outras perspectivas.

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