LIVIA KOECHE

LÍVIA KOECHE

  • Livia Koeche

Arquiteta Urbanista UFRGS). Desenhista de animação tradicional frame-a-frame formada pelo curso AnimaEdu. Mestranda em Poéticas Visuais (PPGAV-UFRGS) com a Pesquisa Situações Públicas: Projeção e Projeto, na qual pesquisa e desenvolve instalações site-specific. Desenvolve e executa projetos audiovisuais, de videomapping, cenografia e arquitetura efêmera desde 2014. Atualmente reside em Porto Alegre, Brasil.

Qual o contexto em que estás vivendo a pandemia?

Estou vivendo em isolamento, trabalhando em casa, com meu companheiro, que também é arquiteto, e dois gatinhos (pets). Foi preciso adaptar a sala para comportar duas estações de trabalho onde antes cabia uma, e a apropriação de um quarto (antes de hóspedes) para criação de um ateliê funcional, de maneira a comportar as produções artística e intelectual no apartamento onde habitamos. A rotina com a pandemia ficou caótica num primeiro momento, de um sopetão todos os eventos marcados foram desmarcados. Acho que, até agora, a maior dificuldade tem sido a organização do cotidiano na consonância entre os relógios solar e biológico. A companhia, com carinho, e com certeza os gatinhos melhoram muito a experiência. Penso que é preciso um pouco de loucura uraniana pra fazer do dia-a-dia uma alegria sempre renovada, apesar dos horrores que se vê pelas telas da TV, da internet, etc. Me sinto muito grata pelo refúgio afetivo e material.

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A quarentena afetou a sua produção? Como era a sua rotina criativa antes do isolamento e como está agora?

A quarentena afetou radicalmente minha produção. Minha rotina criativa envolvia projetar e realizar eventos e intervenções efêmeras com público. Minha defesa no Mestrado seria um evento com público. Durante a pandemia, estou trabalhando muito mais sozinha, e com isso sinto falta da troca e de outros olhares sobre o que estou fazendo. Por outro lado, penso que um senso de urgência se avolumou em mim, deu mais dinamicidade aos processos e encurtou o poder da autocensura. Conseguimos realizar trabalhos com a comunicação totalmente ambientada online, de maneira que muito se perde, mas o essencial é comunicado para que consigamos realizar coisas juntos. Sinto que o espírito do século XXI está se tornando mais palpável em mim e nos que me cercam... Paradoxalmente, só saberemos em no mínimo uma década a dimensão do que estamos vivendo agora.

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Acredita que a pandemia interferiu no seu trabalho artístico de maneira definitiva ou imagina que com o retorno das atividades a sua produção, também, fará um caminho de volta para um curso habitual (pré-pandêmico)?

A pandemia interferiu definitivamente no meu trabalho artístico. Ainda que os modelos de eventos e intervenções como conhecíamos retornem a ocorrer com público (a forma), o período de isolamento social produziu muitos conteúdos que ainda precisam ser trabalhados, coletivamente, por todos que se colocam no mundo como artistas, por um bom tempo. Temos muitas questões a tencionar, muitos sentimentos a despertar e poderes a deslocar que referem-se, em grande parte, aos horrores escancarados durante a pandemia.

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