MAÍRA VELHO

MAÍRA VELHO

  • Maíra Velho

"Sou Artista Visual, formada em Artes Visuais - Bacharelado em Desenho e Plástica pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, RS (2019). Minha pesquisa gira em torno das relações entre arte e ecologia, através da gravura, desenho, livro arte e objeto. Nasci em 1997, natural de Jaguari e atualmente resido em Santa Maria, RS."

Qual o contexto em que estás vivendo a pandemia?

É indiscutível que a pandemia mudou a vida de muitas pessoas e comigo não foi diferente, formada a menos de dois meses e com muitos planos, março começa com uma grande surpresa, a quarentena, que já acontecia em muitas partes do mundo mas que inicia no Rio Grande do Sul apenas nesse período. Os primeiros meses foram esperançosos, realmente acreditávamos que tudo acabaria logo, no entanto já passados quase 8 meses nessa situação permaneço no mesmo contexto... em casa, em apartamento pequeno, empoleirada no quarto andar, enquanto a única pessoa da qual tive contato por muitos meses saia pra trabalhar.


Tive que me adaptar e desenvolver uma rotina aceitando que talvez as coisas demorassem voltar ao “normal”. Em um primeiro momento foi muito difícil a cobrança da “produtividade” que inúmeras vezes batia na minha porta, entretanto no geral o oposto ocorria. Me mantinha ocupada e por muito tempo tentei produzir, pelo simples fato de não parar. Mas ao longo do tempo entendi que estava tudo bem também não ter resultados, comecei aceitar esse momento como um processo, uma caminhada.

PEQUENAS COISAS

"Esse trabalho faz parte uma série de sketches em pequenos formatos, feitos durante este período de isolamento social, tratam-se de objetos cotidianos da casa, plantas, retrato, autorretrato e pequenos escritos.
 

Desenhos em grafite e caneta hidrográfica sobre papel. Apresentados na forma de Stop Motion.

 

Formato 7,5x10,5cm."

A quarentena afetou a sua produção? Como era a sua rotina criativa antes do isolamento e como está agora?

A quarentena de fato afetou a minha produção em vários sentidos, desde a produção artística à intelectual, muito porque as interações e trocas de ideias em partes foram interrompidas ou ao menos os grupos dos quais frequentava. Além das questões físicas, de espaço e materiais. Durante todo esse período a oferta de eventos e encontros virtuais foram grandes, poderia participar, mas no momento pelo menos para mim não faziam muito sentido.


E o que me restou então foi trabalhar com possibilidade do espaço em que vivo e o cotidiano, fazer pequenos sketches, experimentar novas coisas, produzir através do que há disponível. Um período que eu pude me dedicar a alimentar uma plataforma que conectasse meus trabalhos a outras pessoas, nesse caso o instagram e produções além do campo das artes visuais.

CONTINUE SONHANDO

CONTINUE SONHANDO

"Trata-se de um autorretrato, onde vislumbro entre tantas, a cena do ócio aflitivo vivido frequentemente durante o período inicial da quarentena.
 

Desenho em grafite, aquarela e tinta acrílica sobre papel.
 

Formato 14x17,5cm"

Acredita que a pandemia interferiu no seu trabalho artístico de maneira definitiva ou imagina que com o retorno das atividades a sua produção, também, fará um caminho de volta para um curso habitual (pré-pandêmico)?

Acredito primeiramente que a pandemia nos afetou quanto indivíduos, nos nossos modos de vida e forma de pensar e isso interfere também em nossas produções. É difícil dizer o que muda, mas com certeza nada será como antes.