URSULA JAHN

URSULA JAHN

  • Ursula Jahn

Ursula Jahn (São Sebastião do Caí/RS, 1994) é fotógrafa, artista visual e pesquisadora autônoma. Graduada em Fotografia pela UNISINOS, atualmente integra o coletivo "Nítida – fotografia e feminismo", que discute a representatividade feminina na
fotografia. Sua pesquisa é voltada para a percepção do corpo feminino e a autoimagem
na fotografia. Desenvolve sua produção artística principalmente por meio de fotografias e vídeos que são marcados por um viés autobiográfico que exploram questões feministas. Vive e trabalha em Montenegro/RS.

Qual o contexto em que estás vivendo a pandemia?

Eu estou em completo isolamento desde que iniciou a pandemia. Saí de casa somente umas 3 vezes nesses últimos meses (para consultas médicas de um problema que me aconteceu devido ao estresse causado por essa situação de pandemia). Moro com mais quatro pessoas (minha família), e duas dessas pessoas seguiram trabalhando desde o começo, então são elas que vão ao mercado e fazem as coisas essenciais no momento. Como eu trabalho com autorretratos, uso meu próprio corpo como suporte artístico e faço minha produção em meu quarto, não tive nenhuma alteração no espaço físico da minha produção artística, mas minha produção foi afetada por uma espécie de compulsão por produzir.

FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL II  

URSULA JAHN // FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL II

FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL I 

URSULA JAHN // FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL I

A quarentena afetou a sua produção? Como era a sua rotina criativa antes do isolamento e como está agora?

Durante esse período, desde março até hoje, eu passei a produzir meus autorretratos compulsivamente. Eu sempre produzi bastante antes da pandemia. Sou workaholic, eu amo trabalhar, o trabalho e a criação artística são o sentido da minha vida, é isso que coloca um sorriso gigante no meu rosto. Então eu sempre produzi demais. Porém, nesse ano, nesse contexto pandêmico, minha produção triplicou. Eu tenho me fotografado quase que diariamente, buscando mais experimentações fotográficas do que pensar em projetos e narrativas fotográficas (que era o meu foco, era o que eu fazia antes). Então eu criei literalmente uma rotina diária, onde pela manhã eu faço outros trabalhos num geral, pela tarde eu faço meus autorretratos e pela noite eu me volto pra minha pesquisa teórica em torno do autorretrato. Isso me ajudou a lidar com o caos de dentro e fora. Foi uma maneira de conseguir não surtar com tudo o que estava acontecendo no mundo. No entanto, recentemente eu comecei a pensar se involuntariamente essa produção compulsória não foi desencadeada também por uma pressão em me manter produtiva durante a quarentena.

SEM TÍTULO

URSULA JAHN // sem título

Acredita que a pandemia interferiu no seu trabalho artístico de maneira definitiva ou imagina que com o retorno das atividades a sua produção, também, fará um caminho de volta para um curso habitual (pré-pandêmico)?

Eu não vejo uma interferência definitiva no meu trabalho. Como eu disse antes, como eu trabalho com autorretrato e faço minhas produções dentro de casa, acredito que ele vai seguir o curso habitual. Mas eu quero agregar outras possibilidades para ele pós-pandemia. De tanto olhar pra mim nesse ano, eu senti uma necessidade forte de fotografar outras mulheres também. Quero fotografar outras mulheres, quero ouvir outras histórias, quero ouvir a voz delas e transformar isso em algo imagético. Eu ainda não sei como, eu só sei que é algo que tá pulsando forte aqui dentro. Quero além de seguir no autorretrato, além de ser autorretratista, ser juntamente uma retratista de outras mulheres.

QUÃO PROFUNDA É A RAIZ DO PATRIARCADO?

URSULA JAHN // QUÃO PROFUNDA É A RAIZ DO PATRIARCADO?